Sebastiao
E a vida continua
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Textos
ACREDITE SE QUISER
Era uma tarde comum em uma escolinha de futebol. No gramado menor, duas crianças brincavam distraídas enquanto esperavam o irmão mais velho de uma delas terminar o treino. Riam, corriam, e acabaram encontrando diversão onde não deviam: o portão que separava os campos.

Como toda criança que transforma qualquer objeto em brinquedo, começaram a se balançar nele, num vai e vem inocente... até o acidente. Um descuido, um grito agudo — a pequena mão ficou presa na dobradiça do portão. O metal não teve piedade. O choro da criança rasgou o silêncio do campo, e logo o desespero tomou conta da mãe.

Corri para ajudá-la. Peguei as duas no carro e as levei para o pronto-socorro mais próximo. Havia feito o que estava ao meu alcance. Ainda abalado, parti para minha aula na universidade, tentando retomar a normalidade, como se fosse possível.

Dias depois, ouvi o resto da história — e o que se seguiu, acredite se quiser.

O pronto-socorro estava em seu estado habitual: superlotado, médicos sobrecarregados, falta de anestesista, pediatra de mau humor. A mãe, angustiada, tentava manter a calma. Mas foi a chegada da patroa dela que mudou tudo. Ao ver a cena de descaso, ela tentou interceder, reclamar, exigir — mas nada acontecia.

Então, num gesto silencioso, afastou-se daquele ambiente pesado e, do lado de fora, fez uma prece. Não uma oração comum. Foi daquelas feitas com a alma inteira, quando não resta mais nada a fazer senão confiar.

Minutos depois, um médico apareceu. Alto, muito claro, voz suave. Se dirigiu à mulher e disse, simplesmente:

— Vamos?

Ela, sem pensar, respondeu:

— Vamos.

Quem conhece o mundo espiritual sabe reconhecer certos olhares, certas presenças. Ela teve a nítida impressão de que aquele homem não estava sozinho. Ou melhor: estava mediunizado.

— Você me ajuda segurando a criança? — ele pediu.

— Claro, perfeitamente — respondeu ela, quase como em transe.

E assim foi. O procedimento aconteceu ali mesmo, sem anestesia. A criança, estranhamente, dormia profundamente. Nenhum choro. Nenhum sinal de dor. O médico trabalhou com firmeza e delicadeza. Em poucos minutos, ele disse:

— Pronto.

A mãozinha que parecia perdida foi cuidada com tamanha precisão que a recuperação foi quase milagrosa. Sem sequelas. Sem cicatriz. Era como se nada tivesse acontecido. Mas todos sabiam que algo, de fato, havia acontecido. Algo além da lógica.

Como explicar? Coincidência? Sugestão? Fenômeno psicológico? Ou... intervenção de algo maior? Uma força invisível, amorosa e silenciosa que age quando todos os recursos humanos se esgotam?

Não sei dizer ao certo. Só sei que, diante de certas experiências, o melhor que podemos fazer é nos calar e deixar o coração responder:

Acredite se quiser.


Tião Neiva

Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 04/06/2025
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