Escondemos sentimentos.
Silenciamos palavras, abafamos verdades.
Por medo. Por vaidade.
Medo do julgamento, do rótulo, do escárnio.
Enquanto isso, algo em nós se apaga.
A criatividade adormece, a esperança mingua.
Vivemos de verdades emprestadas,
engolidas como dogmas,
repetidas como mantras vazios.
Chamam de fé o que é só obediência.
Chamam de verdade o que não admite questionamento.
Ser inteligente hoje é duvidar.
É adaptar-se sem se dobrar.
É estudar, analisar, escolher,
em vez de seguir o rebanho.
As informações não caminham, disparam.
Bits, imagens, vozes, algoritmos.
Tudo ao mesmo tempo, o tempo todo.
Por isso, o filtro.
Um bom filtro.
Firme, sensível, ético.
Capaz de separar o que liberta
daquilo que apenas mascara correntes.
Evangelhos vomitados como ordens.
Religiões que constroem muros e não pontes.
Pastores que se fazem de deuses.
Messias que vendem milagres por moedas.
O momento exige lucidez.
Não se trata de ser contra tudo,
mas de não se ajoelhar diante de qualquer coisa.