A vida é um jogo que começa antes do apito.
Tem pré-temporada na infância, treino duro na juventude
e jogo pegado na maturidade.
Tem gente que nasce camisa 10
destinado a armar jogadas, pensar o jogo,
ser o cérebro do time.
Outros nascem pra correr na lateral,
são os que fazem a vida andar, mesmo sem aplauso.
Tem goleiro que defende tudo
aguenta porrada, cuida da retaguarda,
e só é lembrado quando falha.
Tem zagueiro que vive na marcação,
não deixa a tristeza passar.
Há momentos em que estamos tão cansados
que dizemos: “o jogo tá 0 x 0”
como quem aceita o empate da rotina.
Mas às vezes, um lance muda tudo.
Caiu na área? É pênalti
a vida não espera explicações.
Decida agora. Chute. Arrisque.
Quem joga recuado demais
passa a vida tomando pressão.
Quem não marca em cima, perde o tempo.
E o adversário?
Ah, ele se veste de dúvida, de medo, de cansaço.
E joga com a camisa do imprevisto.
Na vida, como no futebol,
tem VAR que é a consciência
voltando o lance pra ver se a gente agiu certo.
Tem lesão que ensina a parar,
e técnico que a gente chama de mentor
ou de professor.
Tem quem jogue bonito,
quem jogue feio,
e tem quem só toque de lado,
com medo de errar.
Mas se você quer fazer história,
tem que mirar o gol,
driblar as críticas,
e confiar no passe que vem do coração.
No fim, todos deixamos o campo.
E o que fica?
Os gritos da torcida que amamos,
os gols que comemoramos juntos
e o suor que deixamos no gramado da existência.