As máquinas se calam, não por falha,
mas por terem cumprido o seu destino.
Cada engrenagem dorme
como um pensamento que já foi pensado.
Assim também o velho professor
não se apagou, apenas repousa.
Seus passos deixaram sulcos na terra da mente,
e agora ele contempla o que já não precisa dizer.
A máquina, antes útil, agora observa
o mundo que mudou sem pedir licença.
O mestre, também, vê gerações passarem
sem precisar levantar a mão.
Ambos não são ruínas, mas testemunhos.
Não falam, mas significam.
Não agem, mas inspiram.
São silêncio pleno, não vazio.
Pois há um momento em que servir
é deixar de fazer e começar a ser.
E tanto as máquinas quanto os mestres
sabem que o tempo verdadeiro não se mede no uso,
mas no sentido.