Disse Camões, com olhos de mar:
"Ó lua, que assistes ao pranto do amante,
testemunha fiel das noites que sangram,
no silêncio do céu, és minha amante distante."
Susurrou Álvares, no leito da noite:
"Branca donzela, que flutuas nos ares,
me embalas o sonho, me roubas a paz,
com teus véus de prata e teus olhares lunares."
Chorou Castro Alves, erguendo os braços ao firmamento:
"Lá vai a lua, lenço da esperança,
pairando sobre os navios do exílio,
brilho de consolo na treva da lembrança."
Sussurrou Cruz e Sousa, envolto em brumas:
"Alva sacerdotisa da alma errante,
mística auréola da noite calada,
em teu halo se escondem os segredos do instante."
Murmurou Pessoa, entre um passo e outro da dúvida:
"A lua não sente — é um espelho imóvel,
mas em mim acende perguntas antigas,
e cada sombra sua é uma ideia impossível."
Sorriu Voltaire, com ironia e razão:
“Lá do alto, a lua observa a Terra —
e deve rir dos dogmas, das guerras,
dos sábios tolos e das vaidades vãs.
Pois se ela fala, é para lembrar-nos
que somos sombras no palco do acaso.”
Para mim a Lua é o encanto e o desencanto de quem ama. Rouba a luz do sol, mas reparte conosco a brilho do rei supremo.