Textos
MILAGRE
Enquanto os passos estreitam
a vida escorre pelos dedos,
sem pedir licença,
sem esperar compreensão.
O tempo não olha para trás,
mas deixa rastros
fragmentos de algo que chamamos memória.
O vento me atravessa,
não como invasão,
mas como lembrança de que tudo se move.
A chuva me toca com mãos invisíveis,
me lembra que posso florescer,
mesmo sem saber como.
O sol não me pertence,
mas me acolhe
como se eu fosse parte de seu propósito.
O homem se ergue entre pedras e mares,
crente em sua grandeza,
cego para a vastidão que o envolve.
E aqui estamos,
sobre um ponto azul suspenso,
rodeados de silêncio,
envoltos em um milagre que não sabemos nomear.
Tião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 21/05/2025
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