Sei que me esperas
e que teu coração chama meu nome em silêncio,
mas há dentro de mim
um lugar onde o tempo não pesa,
onde o corpo cessa suas exigências
e a alma encontra um repouso que não sei nomear.
Não é recusa, nem distância fria,
é apenas o mergulho num espaço
onde a dor não grita mais alto
que o sussurro da alma.
Há dias em que luto comigo,
visto o corpo cansado
e caminho ao teu lado,
apesar do peso,
apesar da carne.
Mas há também os dias
em que a alma pede
que eu fique,
que eu silencie,
que eu apenas respire
o instante onde tudo é suficiente.
Se um dia tua alma também se encontrar
nesse lugar sem nome,
saberás que não há ausência,
mas um outro modo de estar presente.
Não me cobres o passo,
ouve o silêncio onde me deito,
e ali, talvez,
possas me encontrar de novo.