Eu não queria que fosse assim.
Mas me esqueci de que toda mudança
traz em si luzes e sombras.
A alma parece fria
uma sensação áspera de realidade que arde.
Talvez eu nunca tenha compreendido
essa dor silenciosa que vem com o crescimento.
Quanto mais aprendo,
mais percebo o quanto ignoro.
E é nesse abismo que me encontro.
Rostos desconhecidos,
olhares vazios,
vozes que ecoam sem reflexão.
As religiões tão corrompidas
me enchem de pena.
Pena dos que dormem,
mas ainda mais de mim,
que rastejo pelo vale da miséria consciente,
sabendo o quão miserável é
sentir a dor do mundo
e reconhecer a própria imperfeição.
O saber aponta a lama,
mas não oferece um caminho para fora dela.
É a consciência que precisa se elevar.
Porque informação e conhecimento
não bastam para a verdadeira transformação.
Os defeitos mais visíveis
são apenas sinais superficiais.
Há outros, escondidos,
profundos como um iceberg,
que não se desfazem
com vivências apenas físicas ou emocionais.
Por isso, tenho mudado.
Tenho medo de coisas que antes não via.
Acredito em ideias novas,
contemplo outras formas de existir.
E isso me afasta,
me faz parecer estranho,
às vezes até insuportável.
São tantas perguntas
que em certos momentos
duvido até das minhas dúvidas.