Onde se encontra a dor?
Na carne,
onde o tempo e as enfermidades
trabalham em silêncio,
desfazendo o que um dia foi firme.
Ou na alma,
onde a dor é maior,
porque se esconde.
No medo,
nos traumas,
nos pensamentos que vagam sem direção.
Na impermanência da vida,
na certeza da morte.
A dor no corpo é aguda,
ingrata,
às vezes insuportável.
Ela corrói, consome,
desfaz identidades,
leva a um retrato desconhecido
de si mesmo.
Mas passa.
É temporária.
A dor da alma queima.
Fere a consciência.
Não há alívio que cure
o remorso,
o arrependimento tardio,
a lembrança dos erros evitáveis,
do bem não feito.
Para o corpo,
há remédio.
Às vezes,
a própria morte.
Para a alma,
há apenas o caminho:
a reparação,
o retorno,
o refazer,
o elevar da consciência.
Por isso,
a reencarnação é uma benção.
Negá-la
é negar a justiça divina,
é fechar os olhos
ao amor do Criador.
É recusar ao homem
o direito de crescer,
de aprender,
de alcançar a perfeição.