Sebastiao
E a vida continua
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Textos
O SILÊNCIO DO GIZ
Antes, um giz na mão,
mais tarde, um pincel
que dançava no quadro branco.
Projetores, vozes, olhares atentos (ou não),
e eu ali — inteiro.
Fazia de cada aula um universo.
Cada dia,
uma travessia entre o saber e o sentir.

Estudava muito,
porque ensinar não era repetir,
era compreender,
desfiar um texto denso até virar fibra de entendimento.
Quantos exemplos!
E ainda assim, era no improviso
que a alma do ensino aparecia.

Tentava despertar nos jovens
a curiosidade por coisas que, talvez,
nunca usariam.
Era um trabalho árduo,
mas eu viajava com eles —
breves viagens no pensar,
sem perturbar demais,
sem ferir as certezas frágeis.

Na universidade,
o saber desafiava.
No colégio particular,
a rotina se repetia.
No estadual,
eu precisava diminuir a vibração,
calar a profundidade,
para não assustar.

Anos se passaram.
A voz se calou aos poucos,
a crença na educação, também.
Chegou o tempo de parar.

Um novo professor chegou.
Jovem, tecnológico,
pronto para decifrar o novo mundo.
Eu me retirei em silêncio.
Não foi fácil.
A alma resistiu.

Mas sei
fiz o que pude.
Talvez não tenha sido perfeito,
mas foi sincero.
Por isso, penso:
não mereço o castigo eterno.
Dei tudo o que tinha.
E isso…
isso tem valor.


Tião Neiva

Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 03/05/2025
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