A lua já não nos espanta,
o sol foi tocado com olhos artificiais.
As estrelas, tão próximas à noite,
habitam distâncias imensuráveis.
Marte se aproxima
já acenam da janela do lado.
Naves cruzam o invisível,
em missões de busca ou simples vaidade.
E ainda assim,
a Voyager não deixou o quintal galáctico.
A tecnologia marcha como um titã,
invadindo espaços antes sagrados.
E para cada invenção,
há um louco,
e para cada louco,
um terapeuta.
As religiões retornam às fontes,
como rios confusos que esquecem o mar.
A fé, agora, se apequena
preso o divino à imagem de um molde humano.
A Terra se encolhe sob os passos da multidão.
Não há espaço,
não há tempo,
há pressa.
O egoísmo prospera
na vitrine das conquistas,
enquanto os corações se recolhem
ao frio do possuir.
E no entanto,
o trem da vida segue firme,
maquinista atento aos desvios da jornada.
Muitas estações,
muitas partidas,
mas não há vagão de luxo
quando o destino é o mesmo para todos.