Sebastiao
E a vida continua
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SILÊNCIO PROFUNDO
Há momentos em que o pensamento se cala. Não por falta de estímulo, mas por uma espécie de recolhimento interior. O filósofo, nesse instante, descobre que há um tempo de silêncio tão necessário quanto o tempo da razão.

O vazio da inspiração não é ausência, mas transição. A mente, saturada de estímulos e ideias, recolhe-se para reorganizar o invisível. Como a terra que repousa antes de uma nova semeadura, o espírito se recolhe ao que não se pode ver, mas que está sendo gestado.

Os antigos chamavam isso de kenosis — o esvaziamento que antecede a plenitude. É preciso deixar-se vazio para que o novo tenha onde pousar. Quem teme o silêncio, teme o nascimento da verdade. Pois a verdade não grita: ela sussurra, e só a escuta atenta do espírito pode captá-la.

Assim, o vazio da inspiração é um exercício filosófico. É a prova de que a criatividade não nasce do excesso, mas da escuta. Não do ruído, mas do intervalo entre os pensamentos. Talvez o mais profundo pensamento surja quando ousamos simplesmente... não pensar.


Tião Neiva

Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 01/05/2025
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