Quem sabe por onde a nave irá?
Por trilhas de pedra,
ou lançando-as atrás,
como quem desliza sobre o instável,
roçando a pele da terra com pressa e incerteza.
Só sabemos que ela vai.
Porque a vida é movimento.
E o movimento consome,
nos arranca do conforto,
nos empurra ao novo,
às vezes à força,
às vezes com o silêncio de quem compreende.
Movemo-nos.
Mesmo que seja apenas
na repetição dos renascimentos.
A alma, em fragmentos,
reveste-se de carne,
testa limites,
se curva às emoções,
guarda cicatrizes.
Mais tarde, colhe —
não ouro, não poder,
mas o sabor áspero das experiências.
E enquanto o tempo se desfaz,
a nave se perde no não-lugar,
mas o piloto,
intacto,
segue.
Segue rumo ao infinito.