Sebastiao
E a vida continua
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MARINA, UM MICRO DE SAUDADE
Quando Marina chegou,
tudo era chão verde,
terra batida sob os pés descalços.

Carros de boi sulcavam o tempo,
e as boiadas, em silêncio antigo,
desenhavam caminhos até o sol cansar.

Casas raras,
solitárias como pensamentos ao entardecer.
A igreja, a três léguas de fé,
soava distante como um sino na névoa.

Dona Terezinha, com mãos de giz,
ensinava as primeiras vogais
em duas salas cheias de esperança.

Pela manhã,
banana assada na chapa do fogão,
o cheiro se misturava ao canto das galinhas,
aos ovos que viravam biscoito na mão da mãe,
às vaquinhas que ofereciam o leite manso.

Ia com o pai na carroça,
levando batata doce e mandioca,
entre campos de gabiroba e mamacadela,
onde as bonecas nasciam do milho
e o riso escorria no banho de córrego.

O pai, paciente, pescava o jantar.
A mãe, com lenço na cabeça,
lavava a vida em roupas estendidas.

Havia carne de lata,
toucinho,
e um tempo que escorria devagar,
como quem não tem pressa de ir embora.

Hoje, ao estacionar o carro,
Marina fechou os olhos.
E tudo voltou.

No silêncio do asfalto,
descobriu que a felicidade
tinha cheiro de lenha,
voz de mato,
e gosto de infância.

Simples assim!


Tião Neiva

Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 29/04/2025
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