Sou tão sentimental.
Ainda ouso lembrar de você.
Mesmo com o passar dos dias,
com a distância que cresce silenciosa,
com os revezes que a vida nos impõe.
Lembro de você.
Fomos tudo que podíamos ser:
amigos,
amantes,
confidentes.
Tínhamos gostos diferentes.
Claro.
Alguma coisa precisava ser diferente.
E foi justamente isso —
essas diferenças
que fizeram a diferença.
Nossos sonhos seguiam rumos opostos.
E então partimos,
cada um com seu sonho nas mãos,
com a coragem que se pôde reunir,
com a resignação necessária para continuar.
O que mais me encabula
é que a vida,
essa mestra silenciosa,
sempre tem razão —
mesmo quando não parece haver nenhuma.