Deitado na grama da praça,
altas horas da madrugada,
contava estrelas como quem conta segredos. E a motocicleta uma paixão ali parada
Elas , ao meu lado,
dividiam sonhos, loucuras,
sem querer nada além daquele instante.
Vivia tão solto, tão livre,
que companhia era apenas um presente do acaso.
Trazia comigo quem sabia sonhar
ou apenas calar,
e viver o momento como se fosse o último.
Chamava aquela praça
de Praça dos Meus Sonhos,
porque ali tudo era possível,
e nada precisava fazer sentido.
Hoje, deitado na rede da sacada,
o vento traz memórias que não voltam.
A lucidez pesa nos olhos,
mata a ilusão que um dia me embalou.
A Praça Universitária ainda vive em mim,
como um mapa apagado,
um cheiro esquecido,
um pedaço de quem eu fui.