Ele era pardo e esguio.
Ela, uma pluma viva, feita de penas coloridas e perfeitas.
Ele cantava — não para si,
mas para o mundo que nascia nos olhos dela.
Ela escutava com o corpo inteiro,
e ali, no silêncio entre um voo e outro,
crescia a certeza de que seriam abrigo.
Ele sabia, sem ter aprendido em livro algum,
que ser pai era mais do que vigiar o céu —
era sustentar o chão.
Ela, com o calor do ventre,
fez morada para o invisível.
E ele trouxe sementes e silêncio,
tomando o lugar dela quando o cansaço pousava.
Quatro ovos azuis como o início do dia.
Quatro promessas sob penas e paciência.
E então, um estalo.
Um som novo no ninho.
O nascimento sem espetáculo,
mas pleno de sentido.
Eles não sabiam que sabiam.
Mas fizeram tudo certo.
A vida não corre.
Ela entende seu tempo.
Não se impõe, não exige.
Apenas segue,
com suavidade e sabedoria.