Daqui a pouco começam a servir os vinhos.
O primeiro é o doce,
e convida ao deleite sereno,
à contemplação em pequenos goles,
onde o aroma revela histórias da terra
e a pureza da vinha toca o espírito.
Beba devagar.
Não desperdice.
Cada gota custou muito —
não em ouro,
mas em tempo, cuidado, e silêncio.
Depois, virá o vinho amargo.
Tome-o também, sem pressa.
Permita que cada gole desenhe novos traços em seu rosto.
Não baixe os olhos.
Olhe para o alto.
Agradeça por esse sabor que ensina.
A vida é assim:
uma mesa onde se alternam
taças de doçura e tragos de dor.
Ambos têm seu papel,
ambos nos moldam.
O vinho envelhecido carrega valor,
mas há mais grandeza em uma alma
que aprendeu a beber da existência
com gratidão e lucidez.