O sofrimento não escolhe plano,
atinge tanto os que aqui respiram
quanto os que já partiram.
Saudade é ponte de dois sentidos:
dói quando alguém chega,
dói quando alguém vai.
Chegamos pela vida,
voltamos pela morte
um ciclo que se repete,
reencarnatório,
como quis o filósofo,
eterno retorno.
E o amor?
E o ódio?
Como atravessam essa fronteira?
Dividimo-nos em afetos:
os que amamos aqui
e os que amamos de lá.
Aqui, chamamos de prisão,
ansiamos por liberdade.
Lá, desejamos voltar —
pela necessidade da experiência,
ou pelo chamado dos amores
que deixamos para trás.
Você já se imaginou: nascendo,
morrendo,
renascendo?
Será isso a justiça divina
ou apenas
uma divina comédia humana?