Sebastiao
E a vida continua
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ECOS DO PENSAR (Filosofia)
A filosofia nasce do equilíbrio,
de um momento de silêncio entre guerras,
de uma aurora onde a pólis se cobria de justiça,
e os homens, em sua busca, desejavam ser justos.

O mito já não bastava.
Não respondia às dores do tempo,
nem ao enigma do destino,
esculpido nas estrelas e nos oráculos.

O olhar voltava-se agora para dentro,
e a razão erguia sua tocha,
iluminando as cavernas da ignorância.
Herdamos o saber dos egípcios,
o cálculo dos babilônios,
os mapas celestes e os ciclos do tempo,
mas faltava perguntar: por quê?

Por que estamos aqui?
Quem somos, senão pontos de interrogação em marcha?
Na ágora,
Sócrates não ensinava — despertava.
Convidava a pensar, a repensar,
a ver que a vida sem exame não vale ser vivida.
Platão ergueu ideias como formas puras,
Aristóteles as aterrava no real.

E quando Roma se ergueu com espada e lei,
a filosofia a encantou —
falou mais alto que o medo,
conversou com os Padres,
traduzida em latim e em silêncio monástico.
A subjetividade então floresceu,
superando o ver para crer,
recolhendo-se em si mesma com Agostinho,
desafiando os céus com Tomás,
até que Descartes duvidasse de tudo
para encontrar-se no pensar.

Kant dividiu os mundos,
Nietzsche proclamou a morte de Deus,
e ainda assim buscamos,
entre ciência e silêncio,
alguma centelha de sentido.

A verdade, talvez,
não seja senão reflexo de cada alma,
fragmento do uno que escapa às mãos.
E se algo sabemos,
é que somos eternos aprendizes,
caminhantes do invisível,
filhos da dúvida e da esperança.

Tião Neiva


Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 15/04/2025
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