Encostar a cabeça no travesseiro
e partir, sem bagagem, sem destino certo.
Por caminhos que só a alma conhece,
onde o pensamento toca o invisível,
e a ilusão permanece viva,
como uma chama que se recusa a apagar.
Ali, o amor brota
nas frestas do cotidiano,
florescendo nas calçadas esquecidas.
O luar não tem hora,
brilha noite e dia,
enquanto o sol, às vezes,
descansa no silêncio das nuvens.
O pensamento voa
num ritmo que o corpo jamais alcançaria.
É um vendaval de imagens,
um filme antigo rodando na mente,
trechos de vida que o tempo gravou em silêncio.
Dou asas a esse voo,
liberto as rédeas da razão.
Quero que ele vá,
e viva segundos de sonhos
que ainda nem ousei sonhar.
Mesmo sem lógica,
há poesia no impulso,
no voo,
na entrega,
dos segredos meus.