Hoje o mundo amanheceu dentro de mim com nuvens pesadas.
Tudo pareceu oco — até eu.
Meus passos, sem rumo. Meus pensamentos, uma névoa densa.
É estranho como às vezes a vida pesa até o ar.
Como se respirar fosse um esforço que exige mais do que eu tenho.
Senti vontade de parar tudo.
De esquecer que nasci.
De apagar a ideia de mim mesmo.
Mas no fundo — bem no fundo —
há uma pequena luz que ainda resiste,
mesmo que trêmula.
Ela diz: “Espera.”
Porque já conheci outras noites assim.
E todas passaram.
Talvez não deixaram tudo intacto,
mas deixaram espaço para algo novo crescer.
Hoje não quero conselhos, nem soluções.
Só um colo que não julgue.
Um silêncio que me abrace.
E uma certeza sussurrada:
vai passar.
A dor não é minha identidade.
Ela é só uma visitante — incômoda, sim —
mas passageira.
Enquanto ela estiver aqui,
eu me sento ao lado dela.
Não para aceitá-la como dona,
mas para lembrá-la que ela também
tem hora de ir embora.