Ela partiu sem olhar para trás.
Passou pelo portão, levando consigo algo que ninguém podia ver.
Talvez uma dúvida, talvez um desejo não dito.
Lá dentro, alguém permaneceu.
Observou a ausência se espalhar pelo espaço,
preenchendo cada canto com um silêncio pesado.
Tentou fugir do que restava.
Músicas soaram sem significado,
as palavras dos poetas perderam a cor,
as telas brilharam vazias e frias.
Na cama, o sono se recusou a chegar.
E, no escuro, a mente desenhou lembranças,
até que a noite inteira se tornou apenas uma imagem:
duas sombras entrelaçadas em um tempo que já não existia.