Olhares que se cruzam,
almas que se reconhecem,
como se o fim fosse sempre o início,
como se o tempo não tivesse pressa
de apagar os passos já dados.
Reminiscências fluem como um rio,
recordações surgem como sombras suaves,
lembranças se dissolvem no vento
e perguntamos:
onde nos encontramos?
ou em que curva nos perdemos?
O reencontro é um novo amar
ou um eco de tempos esquecidos,
trazido pela maré da existência,
gravado não na memória,
mas na essência do que somos?
Vivemos na roda gigante dos dias,
às vezes no alto,
às vezes na descida,
às vezes juntos,
compartilhando o mesmo assento na viagem.
Giramos, giramos,
até que um dia possamos trocar de brinquedo,
abandonar os altos e baixos,
e caminhar sem pressa,
sem quedas,
num passeio sem fim.