Há um silêncio que não se cala,
Que não se veste de ausência ou dor,
Mas se espalha como a alvorada
E ressoa no peito em puro louvor.
Não é o silêncio das bocas fechadas,
Nem da sombra que teme a luz,
Mas o que faz a alma curvada
Erguer-se em paz e seguir sua cruz.
É um silêncio que fala sem medo,
Que encontra o eterno dentro de si,
Que abraça o mundo num doce segredo
E ensina que amar é apenas ser ali.
É nele que a vida revela seu brilho,
Que a mente se aquieta e aprende a escutar,
Pois quem já ouviu o silêncio infinito
Já sabe o que é, sem precisar explicar.