Textos
SILHUETA
Era apenas um contorno contra o mar,
móvel como as ondas,
leve como o vento que vem da espuma.
Fiquei ali, depois do sol,
depois do dia,
depois de tudo o que se foi.
Ela dançava dentro dos meus olhos,
mas não havia passos,
apenas presença,
uma ausência que ainda respirava.
Sozinha,
ou seria eu o solitário?
Seria um eco da saudade,
ou um véu que o tempo esqueceu de levar?
Às vezes cinza,
às vezes azul,
às vezes um brilho impossível de segurar.
E tive medo,
como temo o mar,
esse que leva e traz
sem jamais devolver por completo.
Não me aproximei.
Apenas olhei.
Apenas lembrei.
A silhueta permaneceu,
somente em meus olhos.
Tião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 31/03/2025
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