Todo amor nasce pequeno,
um sopro leve no tempo,
um olhar que se encontra,
um gesto que hesita,
um toque que desperta.
Cresce, sem pressa,
como rio que aprende o caminho,
como semente que rompe a terra,
como chama que se alimenta do ar.
E então, dois se tornam um,
mas o que é esse um?
Fusão ou ilusão?
Entrega ou desejo de possuir?
Se o amor vira ódio,
era amor ou apenas um espelho do querer?
O verdadeiro amor não se desfaz,
não se perde, não se torna o oposto de si mesmo.
Ele transcende.
Ama porque ama.
Sem razão, sem condição,
como a luz que brilha,
como o mar que abraça a areia,
como a vida que pulsa no silêncio das estrelas.
Não há separação,
somos um, sempre fomos,
centelhas de um fogo eterno
que nos convida, sem pressa, a amar.