Não era o mesmo céu,
nem o paraíso dourado das promessas.
Não havia anjos de asas brancas
nem tormentos eternos.
Era a consciência nua,
despida das crenças acumuladas,
batendo de frente com o silêncio.
Ali, nada se impunha —
nem salvação, nem condenação.
Apenas o eco das próprias escolhas
ressoando entre dimensões.
Alguns se entregavam,
abraçavam o vazio fértil
onde a verdade germina.
Outros erguiam muros,
desenhavam mundos irreais
para não verem o que eram.
O sofrimento nascia
onde a ilusão insistia.
Porque ali,
a espiritualidade não tinha dogmas,
não havia muletas para sustentar o medo.
A vida se estendia, infinita,
como um rio sem margens,
levando lembranças
e diluindo certezas.
Era o mistério desvendado
apenas por quem ousava se perder
para, enfim, se encontrar.