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MEU VASO
Sou um vaso
feito de tempo e matéria,
um molde que já foi barro,
depois metal,
agora porcelana,
frágil, mas refinado.
Carrego em meu ventre
ilusões que dançam,
desilusões que pesam,
saudades que ecoam.
O mundo me encheu
de suas oferendas,
algumas doces como mel,
outras amargas como fel.
Quando não suporto,
esvazio-me,
vertendo excessos,
tentando limpar o que resta.
Olham para mim,
julgam-me belo ou feio,
mas não me importa —
sou apenas o reflexo
dos olhos que me veem.
Agora, aprendo a filtrar,
a escolher o que deixo entrar,
a cuidar do que deixo sair.
Se um dia este vaso se partir,
não será o fim,
apenas cacos espalhados,
revelando o que carreguei por dentro:
uma bagagem invisível,
leve ou pesada,
mas suficiente
para me elevar além da forma.
Tião Neiva
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 05/03/2025
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