Um dia,
não seremos mais fragmentos,
não haverá muros entre corações,
nem fronteiras na alma.
Seremos muitos,
mas não separados
apenas reflexos do mesmo brilho,
filhos do mesmo sopro divino.
O cosmos nos abraça,
nossa casa infinita,
onde estrelas cantam
a unidade esquecida.
O egoísmo se dissolverá
como névoa ao sol nascente,
e o "eu" dará lugar ao "nós",
sem medo, sem posse,
sem a ilusão do isolamento.
Tudo vibra na música da criação,
cada folha, cada pedra, cada ser
vivo, belo, nobre.
A jornada é para dentro,
onde o mistério repousa:
conhecer-se é lembrar-se,
despertar para o que sempre fomos.
Deus espera em silêncio,
paciente como o tempo,
vendo em cada passo incerto
a promessa de um retorno.
Quando compreendermos
que o outro é parte de nós,
quando o amor for mais forte
que a ânsia de possuir,
o UNO se fará presente,
e a separação será apenas
uma sombra do passado.