Teus olhos me disseram
aquilo que a boca silencia.
No brilho contido,
na sombra discreta,
havia um eco de dor
e uma súplica velada.
Eu olhei mais fundo,
sem pressa, sem medo,
e vi a solidão ali,
entre piscadas hesitantes,
tentando se esconder
como um segredo mal guardado.
Os olhos não sabem mentir.
São janelas abertas,
mesmo quando queremos fechá-las.
Eles foram feitos para ver o belo,
mas também carregam
o peso do que se esconde no peito.
E no reflexo deles,
descobri que não há disfarce
quando se olha com o coração.