Não lembro mais teu endereço,
talvez esteja escrito no vento,
talvez nas sombras do silêncio,
onde tua voz já não ecoa.
Que mistério é esse de querer voltar,
se a estrada só tem ida?
Os anjos não moram por aqui,
pelo menos, não os vejo
talvez se escondam nos olhos
daqueles que já esqueceram o caminho.
As ilusões dançam ao meu redor,
mas sei que do outro lado
tudo é verdade nua,
Um espelho sem reflexos falsos,
onde o tempo se curva
aos pés da eternidade.
Estudo ainda as palavras antigas,
As que o povo diz sem entender,
e nelas encontro fragmentos teus,
lembranças de um tempo
em que o mundo cabia em tuas mãos.
Hoje ele passa sobre mim,
um rio sem margens,
um tempo sem ponte.
Mas logo chego aí,
pois sei que, como tu,
sou mais que um nome na areia,
sou aquilo que nunca morre.