Depois do silêncio, o eco vem frio,
Um sussurro de sombras e desvarios.
Penso no tempo, no que não foi,
No impossível que a vida passou
Revivo tudo, cada erro, cada riso,
Cada escolha que moldou o abismo.
Onde errei? Há volta, há ponte?
Ou só resta seguir, refazer-se adiante?
Eis a batalha: eu contra mim,
Na arena das sombras que moram aqui.
Defeitos e luzes, contrastes febris,
Derrubam certezas, refazem perfis.
Vencer-me é arte, é fardo, é lei,
É desatar os nós que um dia amarrei.
Se o ontem não volta, que reste o agora,
Um passo, um renascer e a dor se evapora.