Se a vida é utopia, um sonho que fere,
um sopro que nasce, se perde e perece,
se tudo é ruptura, se tudo esmorece,
por que então vive quem tudo esquece?
Se a saúde se vai e o amor se desmancha,
se o tempo apaga, se o corpo descansa,
por que não viver num eterno presente,
onde o ser apenas é, sem passado ou corrente?
No tempo sem tempo, sem linha ou final,
sem medo da sombra do bem e do mal,
talvez sem memórias, sem dores, sem glória,
mas puro no instante, sem peso da história.
Quem sabe, na essência, sem ter que partir,
eu fosse apenas o verbo existir,
sem nome, sem rastro, sem medo, sem dor,
mas sendo o que sou: um eterno fulgor.