O vento corre, apressado,
desliza por entre esquinas,
se parte em mil pedaços
ao toque das paredes,
mas segue, sempre segue.
Eu, parado na rede,
sou o oposto do vento.
Me fragmento por dentro,
não por obstáculos externos,
mas pelas pedras que carrego na alma.
O tempo nos acolhe,
a mim e ao vento,
em seus braços invisíveis.
Ele não julga a velocidade,
apenas guarda o movimento,
do sopro e do pensamento.
O vento atravessa a noite,
como um viajante sem nome.
Eu atravesso a mim mesmo,
perdido em galáxias de dúvidas,
em buscas sem mapas.
Enquanto ele encontra caminhos,
eu tento encontrar um sentido.
O vento é livre,
mas eu, prisioneiro do que fui,
desejo ser fragmento que se completa.