Quanto pesa um coração,
carregado de mágoas antigas,
ferido pelas dores das partidas
e cicatrizado em regressos tardios?
É fardo invisível,
mas que dobra os ombros da alma.
Quanto pesa um coração,
vazio de amor,
sem fé, sem chama,
ateu das promessas que nunca se cumpriram?
É eco, oco,
um poço fundo onde a saudade grita.
Um coração que se partiu em um adeus,
que escondeu sua chave
por medo de ser aberto outra vez.
Quanto pesa a porta trancada,
o silêncio preenchendo as frestas,
a vastidão da solidão no vão da ingratidão?
Ah, coração,
tua medida não está em gramas,
mas em lágrimas,
em sonhos desfeitos,
em esperanças que murcharam ao vento.
Quanto pesa o seu coração?
Talvez o peso seja o segredo que ele guarda,
ou o amor que nele ainda insiste em resistir.