Há pedaços de mim espalhados pelo mundo,
fragmentos esquecidos em esquinas de memórias,
em olhares trocados, em palavras não ditas.
Há pedaços de pessoas que colei em mim,
como quem costura um tecido com agulha fina,
unindo dores e alegrias em tramas invisíveis.
Somos retalhos de vidas,
uma colcha que nunca está completa,
sempre em construção,
sempre aberta ao toque do tempo.
O mundo nos molda com suas mãos ásperas,
e nós, com nossa leveza ou peso,
também o transformamos.
Esse fluxo incessante de dar e receber
é a essência de estar vivo,
é a consciência do ser.
Os pedaços tristes,
aqueles que doem sem explicação,
também têm seu lugar no mosaico.
Eles esculpiram minhas bordas,
desenharam as sombras
que contrastam com a luz.
Sou feito de cicatrizes e abraços,
de partidas e reencontros,
de tudo que me despedaçou
e tudo que me completou.
Sou um reflexo do que vivi,
e por isso, sou inteiro.