POR QUE FAZEMOS O MAL, MESMO SABENDO O QUE É O BEM?
Quantas vezes nos deparamos com o paradoxo humano: sabendo o que é justo, escolhemos o injusto; compreendendo o que é correto, seguimos por caminhos errados? Este dilema, que atravessa os séculos, ecoa nas palavras de Paulo de Tarso: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (Romanos 7:19). Mas por quê? Por que, mesmo com a consciência do bem, tantas vezes optamos por ações contrárias a ele?
As razões para essa contradição são múltiplas. Algumas raízes mergulham na ignorância, como Sócrates sugeria: “Ninguém erra voluntariamente.” Outras nascem de nossa temporalidade esquecida, da ilusão de que o agora é tudo o que importa. O egoísmo, uma lente que distorce a realidade, frequentemente nos faz agir por conveniência própria, ignorando o impacto no outro. O materialismo, por sua vez, nos aprisiona na busca incessante pelo "ter", relegando o "ser" ao esquecimento.
E, no entanto, há uma complexidade ainda mais profunda: a confusão entre o bem e o mal. Quantas vezes, na tentativa de fazer o bem, não ferimos ou prejudicamos involuntariamente? Friedrich Nietzsche advertiu sobre isso em Além do Bem e do Mal: "Quem luta com monstros deve cuidar para não se tornar um." Assim, muitas vezes, na luta por um ideal, perdemos o equilíbrio ético e moral.
Reconhecer essas dinâmicas é o primeiro passo para transcender nossas limitações. Quando nos aprofundamos no autoconhecimento, começamos a perceber que o mal não é uma força externa que nos invade, mas sim uma expressão de nossas imperfeições. Na visão espírita, Allan Kardec aponta que somos espíritos em evolução, e o mal que praticamos é reflexo de nossas limitações e ignorâncias, que o tempo e o aprendizado dissiparão.
Por outro lado, a filosofia nos chama à reflexão crítica. O bem não é apenas evitar o mal, mas compreender que ele nasce de intenções puras e de uma profunda conexão com os valores universais. Agir bem é, sobretudo, um ato de sabedoria e empatia.
Se o mal decorre de nossas imperfeições, o bem surge da nossa escolha consciente de superá-las. Portanto, a ação que propomos é clara: busque conhecimento, cultive a reflexão e alimente a compaixão. Antes de cada ato, pergunte-se: "Isso alivia o sofrimento? Constrói pontes? Promove o amor?"
Ao abraçar essa postura, reconhecemos a temporalidade de nossas vidas e aceitamos que cada escolha ecoa no infinito. Dessa forma, lentamente, transformamos não apenas nossas ações, mas também o mundo ao nosso redor.