Na frágil lâmina que corta o céu da mente,
lucidez dança com a loucura, silente.
Um passo à frente, e o abismo espreita;
um passo atrás, e o vazio aceita.
Será a lucidez uma prisão dourada,
onde tudo se mede, se pesa, se enquadra?
Ou será a loucura a chama que liberta,
a verdade crua, ainda que deserta?
Lucidez constrói pontes entre a lógica e a razão,
mas às vezes ergue muros na emoção.
Já a loucura, descalça, caminha sem medo,
ouvindo verdades que sussurram em segredo.
Quem é mais são: o que vê a ordem no caos,
ou o que dança sob tempestades e maus?
Quem se atreve a chamar de louco o que sonha,
se o mundo real, tantas vezes, nos envergonha?
A lucidez fere com o peso do real,
a loucura canta num tom surreal.
Mas talvez, no encontro desses extremos,
seja onde, de fato, inteiros vivemos.
Na linha tênue que une e separa,
há um portal que a alma repara:
lucidez e loucura, irmãs na criação,
tecem, juntas, o enigma da razão.