Em frente aos caminhos, vejo o chão se abrir,
um mundo de escolhas a me confundir.
O tempo me espreita, sem pausa, sem dó,
e a vida murmura: "Decida, só ou só."
Quantas vezes andei na curva do talvez,
esperando que o vento soprasse a vez?
Mas não escolher é aceitar o vazio,
ser levado ao acaso, qual folha no rio.
A bola da vez no jogo da sorte,
marcada no alvo, espreitando a morte.
Quem não decide dança no fio,
vítima eterna do próprio vazio.
Ciclos terminam, novos começam,
e eu, que mudo, com eles conversam.
A escolha exige um peso, um porquê,
mas fugir dela é deixar de ser.
Que venha o risco, o tropeço, o olhar,
pois na escolha há chance de recomeçar.
Melhor ser quem joga, arrisca, refaz,
do que a bola que rola, sem rumo, jamais.