A cada passo, um quadro se refaz,
imagens fluem, já não são iguais.
Sou espelhos quebrados em um só reflexo,
um eu disperso, buscando um nexo.
Carrego saudades que não se dissolvem,
sonhos que ao futuro se envolvem.
Mas há em mim essa sombra tão crua,
solidão que dança à luz da lua.
Vivo entre o etéreo e o chão que me prende,
acredito e descrenço, num ciclo que estende.
O universo gira, inquieto, voraz,
e eu não posso ser só quem fica para trás.
Quero ser o vento que tudo renova,
a força da maré que a areia aprova.
Sair do vazio que me faz hesitar,
ser mudança viva, aprender a mudar.
Pois viver é esse fluxo que não se detém,
um instante de tudo, que logo se tem.
E assim me refaço, a cada segundo,
impermanência: o pulso do mundo.