Textos
EM SILÊNCIO
Quando silenciei, ouvi a voz do nada,
um eco mudo que me envolvia.
Ela não dizia, apenas escutava,
e eu, imóvel, só sentia.
Verdades surgiam, estrondosas,
não pelo som, mas pela essência.
O silêncio, em sua nudez misteriosa,
rasgava véus da minha consciência.
Lágrimas brotaram, não de dor,
mas de um saber que desabrochava.
Os lábios tremiam, entre tremor e calor,
e no vazio, o adeus se formava.
Era uma despedida sem palavra dita,
um enigma cravado no instante.
Na quietude, uma força infinita,
o adeus, eterno e incessante.
E então veio o sorriso, tardio,
ao perceber o segredo que ali existe:
no silêncio, um adeus jamais é vazio,
ele vive, profundo, e persiste.
TIÃO NEIVA
Sebastião Neiva
Enviado por Sebastião Neiva em 26/11/2024
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