Há quanto tempo, amor, não te vejo,
as horas desfeitas em rastros dispersos,
numa dança de silêncios e espera.
Somos dois grãos em solos distantes,
onde cada suspiro planta uma saudade nova,
como semente que se enterra, teimosa,
para que a planta cresça e sufoque o vazio.
Dia a dia, sinto o amor morrendo,
como folha que cai ao peso do tempo,
um ramo seco no peito, esquecido,
até que reste só o eco de um toque,
e a lembrança desabe em uma manhã de sol.
Mas, não deixes que esse amor se perca.
Rega-me, traz de volta a raiz da vida,
pois do contrário, amor,
tudo morre comigo na luz dessa manhã.