Ontem a noite quando conversava comigo mesmo, senti uma nostalgia, uma saudade. Um desejo de estar em outro lugar. Penso que essa saudade não é minha, essa saudade é de minha alma que anseia restituir sua liberdade. Saudades de pessoas que não me lembro e saudade mais fortes daqueles que me antecederam nessa viagem de volta.
Essa peça de teatro que estou representando as vezes é muito cansativa. Mas eu assumi esse papel é prometi ao autor da peça que daria o melhor de mim.
Todos os dias preciso improvisar, são as partes que o autor não cita no texto, ele adora me testar. As vezes cheguei a ficar chateado, mas compreendi que somente nesses momentos eu crescia, eu criava, eu inventava, eu me refazia para novos atos.
A sorte e que o autor me oferece inúmeros contra-regras, são tão inteligentes , vão "soprando" aos meus ouvidos, o melhor caminho a seguir. Já fui teimoso, não aceitava opiniões, hoje só acredito nesses que se tornaram meus melhores amigos.
Cada dia um ato. Depois de cada ato a análise crítica, onde preciso melhorar?
Interessante que sempre tenho algo a melhorar. Mas fico feliz, todos os dias a pedagogia da vida me ensina. Não sei se todos que me assistem vêem minha melhora. Mas para mim o que importa é o que o autor da peça pensa de mim. Sei também que tem muita gente sentada na platéia que buscam me imitar. Por isso tenho cuidado com tudo que falo e faço, não posso praticar inverdades, seria indigno de minha parte.
Ainda não sei quanto tempo estarei atuando, mas prometo a cada dia ser melhor. Será que depois de tanto melhorar, vou entender o que o autor quer de mim?
Sou um simples ator em um dos palcos de meu diretor. Não quero ser amador por muito tempo. Vou me esforçar para poder executar muitas peças em outros palcos, por enquanto fico por aqui. Você também está dando o seu melhor? Faça alguma coisa por si mesmo, porque depois que as cortinas se fecharem, a peça acaba.
Todos vão embora e você ficará sozinho com sua consciência e ela te julgará,
Céu ou Inferno?